A Embaixada dos Estados Unidos no Paraguai divulgou um comunicado sobre a crise política que levou o Senado a abrir um processo de impeachment contra o presidente Santiago Peña. A manifestação ocorre em meio à indefinição sobre a permanência do presidente no cargo e a protestos provocados pela intervenção no Ueno Bank.
A crise começou no setor bancário. Em 3 de novembro, o Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank, em uma medida que afetou cerca de 3 milhões de clientes e atingiu depósitos públicos. O caso chegou ao governo com acusações de conflito de interesses envolvendo Peña, que já foi acionista do grupo dono do banco.
Na quinta-feira (5), Peña anunciou que deixaria a Presidência. A decisão, porém, depende de aval do Congresso. Como os parlamentares abriram o processo de destituição sem votar a renúncia, ele segue no cargo enquanto o Senado analisa o caso.
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O que dizem os EUA sobre a crise no Paraguai?
No comunicado, a embaixada expressou solidariedade à população paraguaia e dirigiu seu apelo tanto às autoridades quanto aos cidadãos do país.
“Os Estados Unidos da América, amigo e aliado histórico do Paraguai, expressam sua solidariedade com o povo paraguaio em meio à situação que atravessa neste momento. Incentivamos, como amigos e aliados do Paraguai, que as autoridades e o povo paraguaio mantenham a paz e respeitem as instituições democráticas do país”, diz a Embaixada dos Estados Unidos no Paraguai.
Como avançou o impeachment de Santiago Peña?
O Senado paraguaio se reuniu nesta sexta-feira (6) para analisar o pedido de impeachment de Santiago Peña e ouvir a defesa do presidente. Os senadores haviam determinado que ele comparecesse à sessão para se defender pessoalmente. Peña ficou ausente e foi representado por seus advogados.
Antes da sessão, Peña pediu mais 72 horas para preparar a defesa. O Senado negou a prorrogação por 39 votos a 3. Nas redes sociais, o presidente afirmou que recebeu na noite de quarta-feira uma denúncia de 15 páginas, acompanhada de cerca de 300 páginas de anexos.
Na sessão, a defesa pediu que o Congresso aceitasse a renúncia anunciada por Peña e encerrasse o processo de impeachment. Parlamentares da oposição são contra essa saída porque, segundo eles, ela permitiria que Peña obtivesse foro constitucional como ex-presidente e senador vitalício.
Adolfo Ferreiro, um dos advogados do presidente, questionou o prazo dado à defesa e disse que Peña pretende recorrer à Corte Interamericana de Direitos Humanos caso seja destituído.
Qual é a posição do Brasil sobre a crise no Paraguai?
O Itamaraty trata a crise como uma questão interna do Paraguai e entende que cabe às instituições do país resolver o impasse. O governo brasileiro acompanha os possíveis efeitos na fronteira e sobre os brasileiros que vivem no país.
A estimativa é de que cerca de 270 mil brasileiros morem no Paraguai, onde o congelamento de contas atingiu parte dessa comunidade.
A situação também levou o Brasil a acompanhar a operação de Itaipu. A direção brasileira da usina informou que nenhum recurso da margem brasileira estava depositado no Ueno Bank. Segundo a binacional, a produção e o fornecimento de energia seguem normalmente.
O que Trump disse sobre a eleição no Brasil?
A crise no Paraguai é mais um episódio na América do Sul a provocar uma manifestação dos Estados Unidos nas últimas semanas. Antes de a embaixada americana divulgar a nota sobre o impasse em torno de Santiago Peña, o próprio presidente Donald Trump comentou as eleições no Brasil.
Após a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro no segundo turno, Trump levantou suspeitas sobre a votação sem apresentar provas. Ele questionou, entre outras medidas, a decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de prorrogar o horário de votação por duas horas.
Ao comentar o pleito, Trump também disse que mantém uma boa relação com Lula e que pretendia conversar com o presidente reeleito. Segundo o norte-americano, Lula havia pedido que os Estados Unidos evitassem interferir na disputa.