O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), em meio à crise financeira provocada pelo fechamento do Ueno Bank. A decisão ocorreu após protestos em Assunção e a perda de apoio político para enfrentar um processo de impeachment no Congresso. O vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor previsto para assumir o governo.
Em vídeo divulgado nas redes sociais, Peña afirmou que decidiu deixar o cargo para preservar a estabilidade do país e as instituições democráticas. O mandatário também pediu desculpas à população por eventuais falhas durante sua gestão.
O que provocou a crise no Paraguai?
Na terça-feira (3), o Banco Central do Paraguai determinou a intervenção e a dissolução do Ueno Bank após identificar problemas de solvência associados a empréstimos irregulares para empresas do próprio grupo controlador.
A medida deixou quase 3 milhões de clientes sem acesso às contas e bloqueou cerca de US$ 850 milhões, equivalentes a R$ 4,6 bilhões. A suspensão dos serviços levou correntistas às ruas e desencadeou confrontos entre manifestantes e policiais na capital paraguaia.
A ligação de Peña com a instituição ampliou a pressão sobre o governo. Ele manteve participação acionária na holding controladora do banco até março de 2025.
A oposição acusa o Executivo de direcionar recursos públicos, inclusive do Instituto de Previdência Social, para sustentar a instituição privada. Também afirma que o Banco Central teria encoberto irregularidades durante meses.
A Procuradoria paraguaia ordenou a prisão de executivos e apresentou acusações formais contra 27 pessoas vinculadas ao banco.
Por que Santiago Peña perdeu apoio político?
A situação do presidente se agravou na manhã desta quinta-feira, quando o ex-presidente Horacio Cartes, líder do Partido Colorado, e o presidente do Congresso, Basilio Núñez, romperam com o mandatário.
O apoio de parlamentares governistas ao impeachment retirou de Peña a sustentação necessária para permanecer no cargo. O anúncio da renúncia ocorreu enquanto a Câmara dos Deputados discutia o julgamento político.
Quem é Pedro Alliana, previsto para assumir a Presidência?
Pedro Alliana tem 52 anos e pertence ao Partido Colorado, a mesma legenda de Peña. Antes de chegar à Vice-Presidência, governou o departamento de Ñeembucú e atuou durante dez anos como deputado nacional, período em que também presidiu a Câmara dos Deputados.
Ele era apontado como o nome natural do partido para disputar a eleição presidencial de 2028.
Vice-presidente também enfrenta pedido de destituição
A oposição apresentou um pedido de afastamento contra Alliana sob a acusação de que ele teria usado sua influência para proteger o Ueno Bank e impedir o avanço das investigações no Congresso.
Apesar da pressão, a maioria do Partido Colorado se mobilizou para mantê-lo no governo e garantir a transição.
Quais serão os primeiros desafios do sucessor?
A prioridade será executar o plano de contingência econômica aprovado pouco antes da saída de Peña. A iniciativa prevê o uso do Fundo de Garantia de Depósitos para tentar devolver os valores aos correntistas em até cinco dias úteis.
A recuperação do acesso ao dinheiro será uma das principais medidas para conter a insatisfação popular e reduzir a instabilidade no país.
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