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Veja quem são os democratas que cobram Trump por fuga de Flávio

Carta de 25 deputados questiona possível ajuda de autoridades americanas ao senador e estabelece prazo para esclarecimentos

Flávio Bolsonaro foi aos Estados Unidos logo depois das eleições
Foto: Reprodução/ YouTube

Um grupo de 25 deputados democratas dos Estados Unidos cobra explicações do governo Donald Trump sobre uma possível participação de autoridades americanas na fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) para o país. Por meio de uma carta, os parlamentares pedem respostas até 13 de novembro.

O documento questiona se o Departamento de Estado, a embaixada americana no Brasil ou outras agências auxiliaram o ex-candidato à Presidência a viajar ou entrar nos EUA.

Segundo os congressistas, a ida de Flávio a Miami ocorreu após uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinava a entrega de seus passaportes.

Deputados questionam concessão de vistos a Flávio

Os democratas querem esclarecer se recursos diplomáticos e migratórios americanos foram utilizados para beneficiar o senador e seus familiares. Para o grupo, o caso exige fiscalização por envolver uma decisão judicial brasileira e possíveis efeitos nas relações entre os dois países.

Um dos pontos questionados é o anúncio de que os Estados Unidos concederiam vistos à família. A informação foi confirmada por um alto funcionário do Departamento de Estado à CNN Brasil na terça-feira (27).

A carta busca identificar quem autorizou essa decisão e se as autoridades responsáveis conheciam as restrições impostas pelo STF.

O que os democratas querem saber do governo Trump?

O documento reúne 15 perguntas sobre a atuação do governo americano. Entre os esclarecimentos solicitados estão:

  • Quando as autoridades dos EUA souberam da ordem judicial e se analisaram uma cópia antes da saída do senador;
  • Se houve verificação de que Flávio estava autorizado a deixar o Brasil;
  • Quando o governo tomou conhecimento do descumprimento do prazo para entregar os passaportes e quais providências adotou;
  • Se vistos foram emitidos, renovados ou acelerados para o senador e seus familiares;
  • Se autorizações anteriores foram revistas após o conhecimento da decisão do STF;
  • Se funcionários americanos mantiveram contato com familiares, advogados, assessores ou intermediários do parlamentar;
  • Se houve ajuda com voos, documentos, transporte, aeroportos ou outros preparativos da viagem;
  • Se órgãos de imigração, segurança e Justiça foram consultados;
  • Se autoridades brasileiras fizeram pedidos sobre a localização ou a situação de viagem de Flávio;
  • Qual fundamento legal sustentou a concessão dos vistos e se as investigações envolvendo o senador foram consideradas;
  • Se funcionários americanos na Argentina ou no Equador participaram da organização do itinerário.

Os parlamentares também perguntam se o Departamento de Estado avaliou o risco de uma eventual assistência ser interpretada como interferência em assuntos internos do Brasil.

Quem assina a carta sobre Flávio Bolsonaro?

A iniciativa partiu das deputadas Sydney Kamlager-Dove, da Califórnia, e Dina Titus, de Nevada. O documento tem a assinatura de oito integrantes do Comitê de Relações Exteriores da Câmara, entre eles Gabe Amo, vice-líder democrata no colegiado.

Os signatários são Sydney Kamlager-Dove (Califórnia), Dina Titus (Nevada), Greg Casar (Texas), Glenn F. Ivey (Maryland), Jasmine Crockett (Texas), Jonathan L. Jackson (Illinois), Pramila Jayapal (Washington), Nydia M. Velázquez (Nova York), Adelita S. Grijalva (Arizona), Rashida Tlaib (Michigan), Eleanor Holmes Norton (Distrito de Columbia), James P. McGovern (Massachusetts), Mike Quigley (Illinois), Mark Pocan (Wisconsin), Greg Stanton (Arizona), Jesús G. “Chuy” García (Illinois), Yassamin Ansari (Arizona), Deborah K. Ross (Carolina do Norte), Stephen F. Lynch (Massachusetts), Lois Frankel (Flórida), Sean Casten (Illinois), Chellie Pingree (Maine), Gabe Amo (Rhode Island), Delia C. Ramirez (Illinois) e Joaquin Castro (Texas). 

A cobrança ocorre às vésperas das eleições de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro. Todas as 435 cadeiras da Câmara estarão em disputa, e 21 dos 25 signatários concorrem à reeleição.

Aécio de Paula
Sobre o autor

Aécio de Paula

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (2015), com pós-graduação em Direitos Humanos (2018). Tem experiência na cobertura esportiva, com matérias, conteúdo para redes sociais e a produção e apresentação de um podcast de futebol, além de artigos sobre esportes olímpicos. Também escreve sobre política e cinema, desenvolveu um projeto sobre a defesa das minorias sociais em campanhas eleitorais e codirigiu um documentário sobre as pessoas que dependem do Rio Capibaribe.