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POLÊMICA

Por que Folha de São Paulo e Metrópoles estão trocando acusações?

Entenda a disputa entre Folha e Metrópoles envolvendo Daniel Vorcaro, mensagens obtidas pela PF e contratos de publicidade

Troca de acusações entre os veículos de mídia chamou atenção nas redes sociais
Foto: Reprodução

A Folha de S.Paulo e o Metrópoles passaram a trocar acusações após a divulgação de mensagens de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A disputa envolve contratos publicitários e suspeitas de interferência em reportagens.

O episódio ganhou força quando o UOL publicou uma investigação sobre a relação do empresário com o Metrópoles. Depois, o portal divulgou conversas sobre uma tentativa de influenciar uma reportagem da Folha.

Como começou a disputa entre Folha e Metrópoles

Em 15 de outubro, o UOL revelou que textos do Metrópoles eram enviados a Vorcaro antes da publicação. A investigação, reproduzida pela Folha, teve como base mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do empresário.

Segundo o levantamento, pelo menos 14 textos foram encaminhados antecipadamente, e 11 tiveram alterações após pedidos dele. As conversas envolviam a CEO do grupo, Lilian Tahan.

Tahan afirmou que consultar fontes para conferir o contexto das informações faz parte de sua prática profissional. Ela também negou relação entre os contratos de publicidade e a cobertura editorial sobre o Master.

Os valores negociados com o Metrópoles

Além do envio de reportagens, as publicações abordaram os negócios entre empresas de Vorcaro e o grupo de comunicação. Uma apuração do Estadão, repercutida pela Folha, apontou negociações milionárias em 2024 e 2025.

Há uma diferença entre o total negociado e o valor recebido, conforme a manifestação do próprio Metrópoles:

  • R$ 51,9 milhões: total das negociações identificadas na reportagem do Estadão;
  • R$ 26,9 milhões: quantia que o Metrópoles declarou ter recebido;
  • R$ 20 milhões: valor de um contrato publicitário de 2024 citado pelo UOL.

O portal confirmou os valores negociados e afirmou que a liquidação do Master, em 2025, impediu o pagamento integral. A existência dos contratos é um dos pontos discutidos nas reportagens sobre a relação com o empresário.

A acusação do Metrópoles contra a Folha

No dia 16 de outubro, o Metrópoles publicou conversas de agosto de 2024 entre Vorcaro e o consultor de comunicação Guilherme Barros. Nas mensagens, o empresário oferecia uma recompensa para tentar impedir a publicação de uma reportagem.

Segundo o portal, Barros recebeu R$ 1 milhão, e a matéria da Folha teria sido adiada e suavizada. O Metrópoles apontou um intervalo de pelo menos 22 dias até a publicação, em 30 de agosto de 2024.

A acusação é contestada pela Folha. O pagamento mencionado nas publicações foi destinado ao consultor, sem indicação de repasse desse R$ 1 milhão ao jornal.

A resposta da Folha às denúncias

A Folha classificou a reportagem do concorrente como “mentirosa” e negou favorecimento a Vorcaro. Segundo o jornal, o texto ainda estava em apuração e houve concessão de prazo para ouvir a versão do empresário.

O veículo afirmou que a matéria saiu conforme a programação editorial e não foi amenizada. Também declarou que o diretor de Redação, Sérgio Dávila, só soube do pagamento ao consultor após a divulgação recente das mensagens.

Reunião e publicidade também entraram na disputa

Outro ponto levantado pelo Metrópoles foi uma reunião com Vorcaro na sede da Folha. O jornal confirmou o encontro e informou que a visita não foi registrada na coluna Painel a pedido de Guilherme Barros.

Segundo a Folha, o consultor solicitou a reunião para apresentar a versão do empresário. O jornal também declarou ter recebido R$ 516.441,60 em publicidade ao longo de cinco anos. Esses valores são distintos do pagamento atribuído ao consultor.

Por que os veículos divergem sobre “retaliação”

A Folha caracterizou as publicações do Metrópoles como uma “retaliação” à denúncia sobre o envio antecipado de reportagens a Vorcaro.

O Metrópoles rejeitou essa interpretação. Em manifestação publicada pela ombudsman da Folha, Lilian Tahan defendeu que as reportagens apresentavam informações de interesse público baseadas em registros. A motivação atribuída às publicações permanece em disputa.

Aécio de Paula
Sobre o autor

Aécio de Paula

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (2015), com pós-graduação em Direitos Humanos (2018). Tem experiência na cobertura esportiva, com matérias, conteúdo para redes sociais e a produção e apresentação de um podcast de futebol, além de artigos sobre esportes olímpicos. Também escreve sobre política e cinema, desenvolveu um projeto sobre a defesa das minorias sociais em campanhas eleitorais e codirigiu um documentário sobre as pessoas que dependem do Rio Capibaribe.