O PL deve anunciar na quarta-feira (4) a candidatura de Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado. A eleição ocorrerá em fevereiro de 2027. A maioria do partido rejeitou um acordo com Davi Alcolumbre (União-AP), que busca permanecer no comando da Casa.
Com a posse dos eleitos em outubro, a legenda terá 28 senadores e formará a maior bancada. Para vencer a disputa, um candidato precisa alcançar ao menos 41 votos.
Como Alcolumbre busca apoio para a reeleição?
O atual presidente negocia com diferentes partidos e tenta atrair integrantes da oposição, incluindo parlamentares do PL, do PP e do Republicanos.
Segundo o g1, Alcolumbre discutiu na última semana a possibilidade de colocar em votação um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A medida incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A articulação poderia aproximá-lo dos oposicionistas e reduzir a pressão por processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um interlocutor de Alcolumbre afirmou a veículso de imprensa que ele já teria apoio suficiente para vencer, inclusive dentro do PL. Essa avaliação, porém, representa a contagem de seu grupo político.
O presidente do Senado ainda pretende conversar com Michelle Bolsonaro (PL), eleita pelo Distrito Federal. Também não havia dialogado com nomes da ala mais radical do bolsonarismo, como Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC).
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Por que parte do PL defende um acordo?
Uma liderança da bancada avalia que disputar a presidência sem construir um entendimento pode custar ao partido o comando de comissões importantes.
O senador, ouvido nos bastidores, citou a eleição de 2023. Na ocasião, Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco, e o PL ficou sem presidir colegiados considerados estratégicos.
Esse parlamentar também apresentou a anistia como uma possível saída para os condenados e para os responsáveis pelo julgamento. Na avaliação dele, o entendimento poderia evitar uma apuração no Senado sobre a atuação de Alexandre de Moraes, relator do processo.
Apesar dessa posição, prevaleceu na legenda a defesa de uma candidatura própria. Marinho já havia indicado, na quarta-feira (28), que deveria representar o partido. O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) também manifestou confiança na força eleitoral do colega.
Tereza Cristina mantém intenção de concorrer
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) continua interessada na disputa, mesmo diante do lançamento de Marinho. Ela disse a veículos de imprensa que pretende ser a primeira mulher a presidir o Senado e destacou que ainda há cerca de três meses para as negociações. Michelle Bolsonaro, aliás, apoia o nome da parlamentar do PP.
Entre os oposicionistas, também há dúvidas sobre o impacto das declarações de Flávio Bolsonaro na candidatura do PL. Após deixar o Brasil, ele se apresentou em uma carta como presidente eleito e depois alterou a expressão para líder do Brasil.
Marinho coordenou a campanha presidencial de Flávio. Por essa ligação, alguns senadores questionam a autonomia que ele teria à frente da Casa.
Qual é a situação das propostas sobre o 8 de janeiro?
A discussão sobre anistia divide os partidos. Otto Alencar (PSD-BA), integrante da base governista, defende a proposta, enquanto o MDB já manifesta resistência.
Em abril, o Congresso aprovou uma medida que permite reduzir as penas dos condenados. Cabe ao STF analisar a aplicação em cada caso.
Também de abril, o levantamento mais recente citado na reportagem apontava 190 pessoas presas pela tentativa de golpe, das quais 70 cumpriam prisão domiciliar.