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CONGRESSO NACIONAL

PL toma posição e movimenta disputa pelo comando do Senado

PL define estratégia para disputar a presidência do Senado, enquanto Alcolumbre busca apoio na oposição. Entenda as articulações

Rogério Marinho deve disputar presidência do Senado
Foto: Reprodução/ Youtube

O PL deve anunciar na quarta-feira (4) a candidatura de Rogério Marinho (RN) à presidência do Senado. A eleição ocorrerá em fevereiro de 2027. A maioria do partido rejeitou um acordo com Davi Alcolumbre (União-AP), que busca permanecer no comando da Casa.

Com a posse dos eleitos em outubro, a legenda terá 28 senadores e formará a maior bancada. Para vencer a disputa, um candidato precisa alcançar ao menos 41 votos.

Como Alcolumbre busca apoio para a reeleição?

O atual presidente negocia com diferentes partidos e tenta atrair integrantes da oposição, incluindo parlamentares do PL, do PP e do Republicanos.

Segundo o g1, Alcolumbre discutiu na última semana a possibilidade de colocar em votação um projeto de anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A medida incluiria o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A articulação poderia aproximá-lo dos oposicionistas e reduzir a pressão por processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Um interlocutor de Alcolumbre afirmou a veículso de imprensa que ele já teria apoio suficiente para vencer, inclusive dentro do PL. Essa avaliação, porém, representa a contagem de seu grupo político.

O presidente do Senado ainda pretende conversar com Michelle Bolsonaro (PL), eleita pelo Distrito Federal. Também não havia dialogado com nomes da ala mais radical do bolsonarismo, como Guilherme Derrite (PP-SP) e Carol de Toni (PL-SC).

Leia também: Quem Lula vai indicar ao STF

Por que parte do PL defende um acordo?

Uma liderança da bancada avalia que disputar a presidência sem construir um entendimento pode custar ao partido o comando de comissões importantes.

O senador, ouvido nos bastidores, citou a eleição de 2023. Na ocasião, Marinho perdeu para Rodrigo Pacheco, e o PL ficou sem presidir colegiados considerados estratégicos.

Esse parlamentar também apresentou a anistia como uma possível saída para os condenados e para os responsáveis pelo julgamento. Na avaliação dele, o entendimento poderia evitar uma apuração no Senado sobre a atuação de Alexandre de Moraes, relator do processo.

Apesar dessa posição, prevaleceu na legenda a defesa de uma candidatura própria. Marinho já havia indicado, na quarta-feira (28), que deveria representar o partido. O senador eleito Carlos Jordy (PL-RJ) também manifestou confiança na força eleitoral do colega.

Tereza Cristina mantém intenção de concorrer

A senadora Tereza Cristina (PP-MS) continua interessada na disputa, mesmo diante do lançamento de Marinho. Ela disse a veículos de imprensa que pretende ser a primeira mulher a presidir o Senado e destacou que ainda há cerca de três meses para as negociações. Michelle Bolsonaro, aliás, apoia o nome da parlamentar do PP.

Entre os oposicionistas, também há dúvidas sobre o impacto das declarações de Flávio Bolsonaro na candidatura do PL. Após deixar o Brasil, ele se apresentou em uma carta como presidente eleito e depois alterou a expressão para líder do Brasil.

Marinho coordenou a campanha presidencial de Flávio. Por essa ligação, alguns senadores questionam a autonomia que ele teria à frente da Casa.

Qual é a situação das propostas sobre o 8 de janeiro?

A discussão sobre anistia divide os partidos. Otto Alencar (PSD-BA), integrante da base governista, defende a proposta, enquanto o MDB já manifesta resistência.

Em abril, o Congresso aprovou uma medida que permite reduzir as penas dos condenados. Cabe ao STF analisar a aplicação em cada caso.

Também de abril, o levantamento mais recente citado na reportagem apontava 190 pessoas presas pela tentativa de golpe, das quais 70 cumpriam prisão domiciliar.

Aécio de Paula
Sobre o autor

Aécio de Paula

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (2015), com pós-graduação em Direitos Humanos (2018). Tem experiência na cobertura esportiva, com matérias, conteúdo para redes sociais e a produção e apresentação de um podcast de futebol, além de artigos sobre esportes olímpicos. Também escreve sobre política e cinema, desenvolveu um projeto sobre a defesa das minorias sociais em campanhas eleitorais e codirigiu um documentário sobre as pessoas que dependem do Rio Capibaribe.