Bahia, Botafogo e Internacional são os finalistas da categoria Futebol Feminino Contra o Feminicídio do Prêmio TV Brasil Petrobras Para Elas de 2026. O anúncio ocorreu nesta segunda-feira (2). O vencedor será conhecido em 15 de novembro, durante cerimônia no Museu do Futebol, em São Paulo.
A categoria é um dos diferenciais da premiação. Segundo a apresentação do prêmio, ela reconhece iniciativas de clubes da elite do futebol feminino nacional contra o assédio e a violência de gênero. Entre as ações dos finalistas, há campanhas realizadas em partidas das equipes masculinas.
Como os finalistas foram escolhidos?
Um júri formado apenas por mulheres escolheu os finalistas. Participaram jornalistas, comunicadoras, personalidades e profissionais ligadas ao futebol feminino ou à defesa da igualdade de gênero.
A escolha reuniu diferentes experiências para avaliar a atuação dos clubes no esporte e a importância social das iniciativas. Na mesma cerimônia, serão anunciados os vencedores das demais categorias:
- Craque da Torcida
- Jogadora Revelação
- Melhor Treinador(a)
- Melhor Jogadora
- Artilheira
- Gol Mais Bonito
- Melhor Departamento de Futebol Feminino
- Seleção da Temporada
Quais ações levaram o Bahia à final?
No início da temporada, o Bahia passou a apoiar a campanha “Feminicídio Zero”, da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo baiano. Na partida contra o Galícia, pela terceira rodada do Campeonato Baiano masculino, o clube exibiu faixas de conscientização. Os jogadores entraram na Arena Fonte Nova com uma camisa roxa da campanha. Fora do estádio, uma unidade móvel ofereceu acolhimento e orientações sobre os serviços de proteção.
Durante o Brasileirão masculino, o clube lançou a ação “Terceiro Tempo”, em parceria com o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e a agência Propeg. A campanha teve como base o estudo “Futebol e Violência contra a Mulher”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Segundo o levantamento, as ocorrências de ameaça aumentam 27,4% nos dias de jogos. Já os registros de lesão corporal por violência doméstica crescem 28,8%.
Após a partida contra o Internacional, em 30 de agosto, um grupo de mulheres permaneceu nas arquibancadas da Fonte Nova. Eram influenciadoras, torcedoras, funcionárias do clube e convidadas. Acima delas, o letreiro mostrava a frase: “Hoje, ficar no estádio é mais seguro que em casa”.
O que Botafogo e Internacional fizeram?
Desde 2022, o Botafogo mantém o projeto “A Hora Delas”, voltado à valorização da presença feminina no futebol. O Estádio Nilton Santos foi pioneiro no Rio de Janeiro ao instalar um posto para receber queixas de assédio e violência de gênero durante as partidas. O serviço conta com apoio da Deam e do Jecrim. O clube também capacita funcionários e seguranças terceirizados que trabalham nos jogos.
Em 30 de novembro do ano passado, na partida contra o Corinthians, na Neo Química Arena, os dois times usaram números de camisa redesenhados a partir de radiografias reais de mulheres agredidas. Na frente, os uniformes traziam a pergunta “quem matou?” e os nomes de mais de 40 vítimas de feminicídio.
O Internacional, que afirma ter registrado a primeira sócia mulher de um clube brasileiro, em 1918, aderiu ao movimento “Banco Vermelho” em 2025. A iniciativa surgiu na Itália. No Beira-Rio, o clube instalou um banco vermelho onde visitantes podem deixar mensagens contra a violência de gênero. Em abril, o Museu do Inter recebeu um evento sobre o assunto, organizado pelo núcleo feminino da Guarda Popular com apoio do clube.
Na final do Gauchão masculino contra o Grêmio, em 8 de março, o telão do estádio mostrou um placar simbólico de 20 a 0. O número representava os feminicídios registrados no Rio Grande do Sul em 2026 até aquela data.
Qual o tamanho do problema do feminicídio no Brasil?
O estudo “Retrato dos Feminicídios no Brasil”, divulgado em março pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apresenta os seguintes dados:
- Em 2025, 1.568 mulheres foram vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação a 2024.
- O total equivale a um caso a cada cinco horas e 36 minutos.
- Mulheres negras representavam 62,6% das vítimas.
- Entre 2021 e 2024, 66,3% dos crimes ocorreram na casa da vítima.
- Mais de 80% dos crimes foram cometidos pelo parceiro íntimo atual (59,4%) ou pelo antigo parceiro (21,3%).
Com informações da Agência Brasil.