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Dívidas dos clubes chegam a R$ 25 bilhões; veja quanto deve seu time

Veja o ranking das dívidas dos clubes das Séries A e B e entenda a diferença entre o passivo total e os pagamentos atrasados

Ranking reúne os 40 clubes das séries A e B
Foto: Divulgação/ Corinthians

As dívidas dos clubes brasileiros ganharam uma nova ferramenta de consulta. A Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade no Futebol (Anresf) disponibilizou um painel que permite ao torcedor conferir a situação financeira das 40 equipes das Séries A e B.

Os números mostram um passivo conjunto de R$ 25 bilhões ao fim de 2025. Desse montante, R$ 22,08 bilhões correspondem aos participantes da primeira divisão e R$ 2,92 bilhões aos da segunda, considerando as competições disputadas em 2026.

O levantamento reúne tanto compromissos que ainda vão vencer quanto obrigações já vencidas. Separadamente, a plataforma apresenta as declarações sobre atrasos em salários, transferências e impostos.

Ranking das dívidas dos clubes: confira os 40 valores

O Corinthians aparece com o maior passivo total, seguido de Atlético-MG e São Paulo. Na outra ponta, o CRB apresenta o menor valor entre as equipes das duas divisões.

A classificação abaixo considera os balanços de 31 de dezembro de 2025. Portanto, os números retratam a posição financeira naquela data e não representam, necessariamente, o saldo atual de cada clube.

  • 1º — Corinthians: R$ 2,76 bilhões.
  • 2º — Atlético-MG: R$ 2,66 bilhões.
  • 3º — São Paulo: R$ 2,45 bilhões.
  • 4º — Botafogo: R$ 2,01 bilhões.
  • 5º — Palmeiras: R$ 1,58 bilhão.
  • 6º — Cruzeiro: R$ 1,36 bilhão.
  • 7º — Internacional: R$ 1,27 bilhão.
  • 8º — Flamengo: R$ 1,26 bilhão.
  • 9º — Santos: R$ 1,23 bilhão.
  • 10º — Vasco: R$ 1,10 bilhão.
  • 11º — Fluminense: R$ 1,04 bilhão.
  • 12º — Grêmio: R$ 936 milhões.
  • 13º — Red Bull Bragantino: R$ 772 milhões.
  • 14º — Sport: R$ 422 milhões.
  • 15º — Vitória: R$ 408 milhões.
  • 16º — Bahia: R$ 407 milhões.
  • 17º — Athletico-PR: R$ 405 milhões.
  • 18º — Náutico: R$ 292 milhões.
  • 19º — Fortaleza: R$ 291 milhões.
  • 20º — América-MG: R$ 283 milhões.
  • 21º — Avaí: R$ 268 milhões.
  • 22º — Ponte Preta: R$ 240 milhões.
  • 23º — Ceará: R$ 217 milhões.
  • 24º — Coritiba: R$ 185 milhões.
  • 25º — Vila Nova: R$ 175 milhões.
  • 26º — Chapecoense: R$ 174 milhões.
  • 27º — Novorizontino: R$ 167 milhões.
  • 28º — Goiás: R$ 114 milhões.
  • 29º — Botafogo-SP: R$ 89 milhões.
  • 30º — São Bernardo: R$ 77 milhões.
  • 31º — Athletic: R$ 72 milhões.
  • 32º — Londrina: R$ 60 milhões.
  • 33º — Atlético-GO: R$ 42 milhões.
  • 34º — Cuiabá: R$ 40 milhões.
  • 35º — Remo: R$ 37 milhões.
  • 36º — Criciúma: R$ 37 milhões.
  • 37º — Juventude: R$ 29 milhões.
  • 38º — Mirassol: R$ 11 milhões.
  • 39º — Operário-PR: R$ 4,2 milhões.
  • 40º — CRB: R$ 900 mil.

Atlético-MG lidera em compromissos de curto prazo

Embora o Corinthians ocupe a primeira posição no endividamento total, o Atlético-MG apresenta o maior volume de obrigações de curto prazo: R$ 1,36 bilhão com vencimento em até 12 meses.

Esse recorte mostra quanto precisa ser pago em um intervalo mais próximo. Já o passivo total soma as obrigações de curto e longo prazo registradas no balanço.

Entre os participantes da Série A, o Mirassol tem o menor passivo, de R$ 11 milhões. Na Série B, Sport e Náutico lideram o endividamento, com R$ 422 milhões e R$ 292 milhões, respectivamente.

Dívida total significa que o clube está com pagamentos atrasados?

Ter dívida não significa, por si só, estar inadimplente. O passivo total inclui obrigações que ainda não venceram, além de compromissos com bancos, fornecedores e outros credores.

O quadro de atrasos tem outro recorte: considera parcelas vencidas nas categorias acompanhadas pela agência. Nessa parte do painel, os dados foram declarados no ciclo de julho de 2026 e se referem à situação até 30 de junho.

Segundo a Anresf, dívidas renegociadas com parcelas em dia e determinadas obrigações em discussão judicial não são classificadas como atraso. Os critérios estão disponíveis no Painel de Solvência da agência.

Quais clubes da Série A declararam não ter atrasos?

Dos 20 participantes da primeira divisão, seis informaram não ter pagamentos vencidos nas categorias monitoradas até a data de corte:

  • Bahia;
  • Chapecoense;
  • Flamengo;
  • Mirassol;
  • Palmeiras;
  • Red Bull Bragantino.

A presença de equipes com passivos elevados nessa relação reforça a diferença entre endividamento e inadimplência. Uma obrigação pode fazer parte do balanço e continuar dentro do prazo de pagamento.

Os clubes precisam apresentar informações sobre os atrasos três vezes por ano. A próxima janela de declaração está prevista para 30 de novembro de 2026.

Pagamentos atrasados podem gerar punições no futebol

O acompanhamento ocorre em meio à aplicação do regulamento de Fair Play Financeiro, em vigor desde janeiro. Nesta semana, Atlético-MG, Grêmio, Internacional e São Paulo receberam prazo de 45 dias para regularizar pendências de contratos firmados em 2026.

O descumprimento pode resultar em transfer ban, punição que impede o registro de novos jogadores. Para as dívidas anteriores a 2026, o período de transição termina em 30 de novembro. A partir desse marco, os atrasos antigos também poderão gerar sanções, conforme as regras da agência.

Clubes discutem pedido para adiar as sanções

A proximidade do fim da transição provocou uma movimentação entre clubes para ampliar o prazo de regularização das pendências anteriores a 2026.

A intenção é adiar a aplicação das punições ao menos até o fim de 2027, preferencialmente até 2028. Até a publicação das informações, porém, a Anresf ainda não havia recebido uma proposta formal para analisar.

Aécio de Paula
Sobre o autor

Aécio de Paula

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (2015), com pós-graduação em Direitos Humanos (2018). Tem experiência na cobertura esportiva, com matérias, conteúdo para redes sociais e a produção e apresentação de um podcast de futebol, além de artigos sobre esportes olímpicos. Também escreve sobre política e cinema, desenvolveu um projeto sobre a defesa das minorias sociais em campanhas eleitorais e codirigiu um documentário sobre as pessoas que dependem do Rio Capibaribe.