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Como o Corinthians quer quitar sua dívida usando o nome da arena

Entenda como o Corinthians pretende usar o nome da arena para quitar a dívida com a Caixa e quais obstáculos ainda precisam ser resolvidos

Corinthians tem plano para socorro financeiro
Foto: Corinthians / Divulgação

A dívida da arena do Corinthians, estimada em R$ 630 milhões, levou o clube a negociar com a Caixa Econômica Federal uma proposta que envolve o nome do estádio e outros negócios.

Segundo informações do ge, a diretoria pretende usar os direitos comerciais da Neo Química Arena para viabilizar a quitação. O plano depende de um entendimento com o banco e de uma solução para o contrato com a Hypera Pharma, atual detentora dos direitos sobre o nome.

Como o nome da arena pode ajudar a quitar a dívida?

A proposta é que a Caixa assuma os naming rights, direitos que permitem associar uma marca ao nome de um estádio durante um período determinado.

Pelo plano apresentado, o valor negociado por esses direitos permitiria considerar a dívida quitada. Em contrapartida, o banco passaria a explorar comercialmente o nome da arena pelo prazo estabelecido no eventual acordo.

Ainda não há valor acertado nem período definido para essa exploração, conforme as informações divulgadas. A proposta permanece em negociação.

Quanto o Corinthians considera que os naming rights valem?

A diretoria avalia que os direitos sobre o nome da arena valem cerca de R$ 70 milhões por temporada. Essa é uma estimativa do Corinthians, sem indicação de que tenha sido aceita pela Caixa.

O contrato atual com a Hypera Pharma foi firmado em setembro de 2020. Os valores e prazos envolvidos são:

  • Avaliação do clube para os naming rights: cerca de R$ 70 milhões por temporada;
  • Pagamento previsto originalmente no contrato vigente: R$ 15 milhões anuais, com correção pela inflação;
  • Duração do acordo com a Hypera: 20 anos.

O que impede a transferência do nome da arena?

Para entregar os naming rights à Caixa, o Corinthians precisa resolver o vínculo com a Hypera. Uma eventual rescisão envolve uma divergência sobre o valor da multa contratual.

As partes consideram os seguintes valores:

  • Corinthians: R$ 47,85 milhões, previstos na tabela contratual para 2026;
  • Hypera: aproximadamente R$ 68 milhões, com aplicação da correção pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M).

Segundo informações de bastidores, a diretoria aposta na relação com a farmacêutica para negociar uma redução. Também ofereceu alternativas para manter a parceria, como patrocínio e exploração do nome de outras propriedades, incluindo o CT Joaquim Grava. A Hypera informou que não comenta o assunto publicamente.

Quais outros negócios estão na proposta à Caixa?

A negociação para quitar a dívida da arena do Corinthians também prevê ampliar a relação financeira e comercial do clube com a Caixa.

Além dos naming rights, o pacote apresentado inclui:

  • Lançamento de títulos de capitalização;
  • Transferência da operação financeira do Corinthians para o banco, incluindo contas e pagamento de salários;
  • Cartões destinados ao programa Fiel Torcedor.

O que já avançou na negociação da dívida da arena?

Enquanto discute a quitação, o Corinthians conseguiu a suspensão dos pagamentos e da retenção de receitas de bilheteria e premiações de campeonatos. A medida melhora a disponibilidade de dinheiro para as despesas do clube, mas não encerra o débito.

A Caixa também havia liberado R$ 13,5 milhões dos R$ 27 milhões depositados em uma conta reserva prevista no contrato da arena. O Corinthians utilizou o dinheiro para pagar os salários de setembro, que estavam atrasados.

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Aécio de Paula
Sobre o autor

Aécio de Paula

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (2015), com pós-graduação em Direitos Humanos (2018). Tem experiência na cobertura esportiva, com matérias, conteúdo para redes sociais e a produção e apresentação de um podcast de futebol, além de artigos sobre esportes olímpicos. Também escreve sobre política e cinema, desenvolveu um projeto sobre a defesa das minorias sociais em campanhas eleitorais e codirigiu um documentário sobre as pessoas que dependem do Rio Capibaribe.