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Por que as pesquisas erraram no 2º turno? CEO da Atlas tem um palpite

Andrei Roman, CEO da AtlasIntel, aponta pressão judicial após diferenças entre pesquisas e urnas. Veja os números e os argumentos

Flávio Bolsonaro e Lula durante debate da Tv bandeirantes
Foto: Reprodução/ YouTube

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25), contrariou a liderança numérica apresentada por grandes institutos nas pesquisas de véspera. O resultado abriu uma discussão sobre as diferenças entre os levantamentos e a votação.

Ainda no domingo (25), o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, atribuiu parte do desempenho das pesquisas à pressão judicial sobre as empresas. Em publicação no X, ele anunciou que pretende levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) questionamentos sobre a atuação de magistrados.

O que o CEO da Atlas disse sobre as pesquisas?

Roman classificou as medidas contra os institutos como “perseguição judicial” e afirmou que elas foram determinantes para os erros na identificação do vencedor. Segundo o executivo, a AtlasIntel apresentará pedidos ao CNJ, começando por decisões no Rio Grande do Norte.

“A perseguição judicial dos institutos de pesquisa é a principal razão pela qual todos os grandes institutos erraram o vencedor do 2º turno da eleição presidencial pela 1ª vez na história. A AtlasIntel apresentará ao CNJ pedidos específicos sobre juízes que atropelaram a lei, começando pelo Rio Grande do Norte.”

Quais eram os números na véspera da eleição?

No sábado (24), Datafolha e Quaest divulgaram levantamentos com Flávio Bolsonaro em 51% dos votos válidos e Lula em 49%. Ambos informaram margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.

A AtlasIntel/Bloomberg registrou 50,8% para Flávio e 49,2% para Lula, com margem de um ponto. Já o BTG/Nexus apresentou 50,5% para o candidato do PL e 49,5% para o petista, com margem de 2,2 pontos.

A CNT/MDA também mostrou uma disputa tecnicamente empatada: Flávio tinha 50,7%, contra 49,3% de Lula. A margem informada era de 2,2 pontos percentuais.

Resultado das urnas ficou além dos intervalos apresentados

Na votação, Lula alcançou 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio terminou com 48,21%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vantagem do presidente reeleito foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.

O empate técnico dos levantamentos indicava incerteza sobre quem estava à frente. Isso, porém, não significa que qualquer resultado estaria contemplado pelas margens divulgadas.

Na comparação direta, os 51,79% obtidos por Lula superaram os limites superiores calculados a partir dos percentuais apresentados pelos cinco institutos citados. No caso da AtlasIntel, por exemplo, a estimativa de 49,2%, acrescida de um ponto, chegava a 50,2%.

Roman também reconheceu uma escolha que prejudicou a Atlas

Além das críticas à Justiça, o executivo apontou um problema na própria estratégia de coleta. Segundo ele, o período utilizado na pesquisa final da AtlasIntel atenuou a redução da distância entre os candidatos.

Roman afirmou que a atualização mais recente do acompanhamento diário do instituto indicava uma diferença de 0,6 ponto percentual, menor que os 1,6 ponto publicados no levantamento de véspera.

O empresário também questionou a aplicação de modelos de eleitor provável por concorrentes. Em sua avaliação, essas estimativas não incorporaram adequadamente a mobilização de apoiadores de Lula.

Por que o Rio Grande do Norte foi citado?

A AtlasIntel enfrentou decisões contrárias à divulgação de pesquisas no estado. Em setembro, o TRE-RN determinou a retirada de dois levantamentos e aplicou multas que somaram R$ 106.410, apontando descumprimento de exigências legais e inconsistências nas informações apresentadas.

Em outubro, outra pesquisa sobre as disputas estaduais foi suspensa por decisão liminar, após questionamentos sobre a localização dos entrevistados. Esses episódios integram o contexto da reclamação de Roman, mas não estabelecem uma relação comprovada com o desempenho da pesquisa presidencial nacional.

Aécio de Paula
Sobre o autor

Aécio de Paula

Jornalista

Jornalista formado pela Universidade Católica de Pernambuco (2015), com pós-graduação em Direitos Humanos (2018). Tem experiência na cobertura esportiva, com matérias, conteúdo para redes sociais e a produção e apresentação de um podcast de futebol, além de artigos sobre esportes olímpicos. Também escreve sobre política e cinema, desenvolveu um projeto sobre a defesa das minorias sociais em campanhas eleitorais e codirigiu um documentário sobre as pessoas que dependem do Rio Capibaribe.