A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), neste domingo (25), contrariou a liderança numérica apresentada por grandes institutos nas pesquisas de véspera. O resultado abriu uma discussão sobre as diferenças entre os levantamentos e a votação.
Ainda no domingo (25), o CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, atribuiu parte do desempenho das pesquisas à pressão judicial sobre as empresas. Em publicação no X, ele anunciou que pretende levar ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) questionamentos sobre a atuação de magistrados.
O que o CEO da Atlas disse sobre as pesquisas?
Roman classificou as medidas contra os institutos como “perseguição judicial” e afirmou que elas foram determinantes para os erros na identificação do vencedor. Segundo o executivo, a AtlasIntel apresentará pedidos ao CNJ, começando por decisões no Rio Grande do Norte.
“A perseguição judicial dos institutos de pesquisa é a principal razão pela qual todos os grandes institutos erraram o vencedor do 2º turno da eleição presidencial pela 1ª vez na história. A AtlasIntel apresentará ao CNJ pedidos específicos sobre juízes que atropelaram a lei, começando pelo Rio Grande do Norte.”
Quais eram os números na véspera da eleição?
No sábado (24), Datafolha e Quaest divulgaram levantamentos com Flávio Bolsonaro em 51% dos votos válidos e Lula em 49%. Ambos informaram margem de erro de dois pontos percentuais, configurando empate técnico.
A AtlasIntel/Bloomberg registrou 50,8% para Flávio e 49,2% para Lula, com margem de um ponto. Já o BTG/Nexus apresentou 50,5% para o candidato do PL e 49,5% para o petista, com margem de 2,2 pontos.
A CNT/MDA também mostrou uma disputa tecnicamente empatada: Flávio tinha 50,7%, contra 49,3% de Lula. A margem informada era de 2,2 pontos percentuais.
Resultado das urnas ficou além dos intervalos apresentados
Na votação, Lula alcançou 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio terminou com 48,21%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A vantagem do presidente reeleito foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos.
O empate técnico dos levantamentos indicava incerteza sobre quem estava à frente. Isso, porém, não significa que qualquer resultado estaria contemplado pelas margens divulgadas.
Na comparação direta, os 51,79% obtidos por Lula superaram os limites superiores calculados a partir dos percentuais apresentados pelos cinco institutos citados. No caso da AtlasIntel, por exemplo, a estimativa de 49,2%, acrescida de um ponto, chegava a 50,2%.
Roman também reconheceu uma escolha que prejudicou a Atlas
Além das críticas à Justiça, o executivo apontou um problema na própria estratégia de coleta. Segundo ele, o período utilizado na pesquisa final da AtlasIntel atenuou a redução da distância entre os candidatos.
Roman afirmou que a atualização mais recente do acompanhamento diário do instituto indicava uma diferença de 0,6 ponto percentual, menor que os 1,6 ponto publicados no levantamento de véspera.
O empresário também questionou a aplicação de modelos de eleitor provável por concorrentes. Em sua avaliação, essas estimativas não incorporaram adequadamente a mobilização de apoiadores de Lula.
Por que o Rio Grande do Norte foi citado?
A AtlasIntel enfrentou decisões contrárias à divulgação de pesquisas no estado. Em setembro, o TRE-RN determinou a retirada de dois levantamentos e aplicou multas que somaram R$ 106.410, apontando descumprimento de exigências legais e inconsistências nas informações apresentadas.
Em outubro, outra pesquisa sobre as disputas estaduais foi suspensa por decisão liminar, após questionamentos sobre a localização dos entrevistados. Esses episódios integram o contexto da reclamação de Roman, mas não estabelecem uma relação comprovada com o desempenho da pesquisa presidencial nacional.