A maioria dos eleitores que votaram em um dos candidatos neste domingo (25) escolheu Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para governar o Brasil por mais quatro anos. Encerrada a disputa presidencial, as atenções começam a se voltar para a formação da próxima equipe de governo.
Uma das principais dúvidas do mercado financeiro é quem comandará o Ministério da Fazenda. A escolha é aguardada como um sinal dos rumos da política econômica a partir de 2027, especialmente em relação aos gastos públicos e ao controle da dívida.
Nesse cenário, um governador do Nordeste ganhou espaço nas articulações para ocupar a pasta.
Rafael Fonteles é cotado para o Ministério da Fazenda
O nome é o de Rafael Fonteles (PT), reeleito governador do Piauí. Sua experiência na administração das contas estaduais é um dos fatores que sustentam a possibilidade de assumir a equipe econômica de Lula.
Fonteles foi secretário da Fazenda do Piauí e presidiu o comitê que reúne os responsáveis pelas finanças dos estados. Sua formação acadêmica inclui graduação em matemática e mestrado em economia matemática.
De acordo com a CNN Brasil, integrantes do governo enxergam no petista um perfil técnico e avaliam que ele poderia ter boa receptividade entre investidores. A indicação, porém, ainda está no campo das articulações.
Quem assumiria o governo do Piauí?
Se a ida para a Esplanada se concretizar, a administração piauiense ficará com o vice eleito, Washington Bandeira (PT). A relação de confiança entre os dois é apontada nos bastidores como um elemento que facilita essa possibilidade.
Fonteles sinalizou a aliados que estaria disposto a deixar o Executivo estadual caso Lula desejasse sua participação no governo federal.
A chapa encabeçada por ele venceu no primeiro turno e obteve o maior percentual de votos entre os vencedores das eleições estaduais, resultado que ampliou sua força política dentro do partido.
Participação na campanha aproximou Fonteles de Lula
Após a eleição no Piauí, Fonteles passou a integrar o grupo mais próximo do presidente na campanha, contribuindo com a estratégia de comunicação.
Uma de suas iniciativas foi entregar um celular a Lula para estimular a participação do candidato no “Exército de Lula”, mobilização pelo WhatsApp voltada ao engajamento de apoiadores. A atuação na reta final da disputa ajudou a colocar o governador entre os nomes com espaço nas conversas sobre o próximo ministério.
Dólar sobe e Bolsa cai em meio à expectativa sobre a economia
A discussão sobre a Fazenda ocorre em um dia de forte turbulência financeira. Nesta segunda-feira (26), às 14h40, o Ibovespa recuava 14,62%, aos 175.091 pontos, enquanto o dólar avançava 8,86%, negociado a R$ 5,432. Os números são parciais do pregão.
Entre as preocupações dos investidores estão a trajetória da dívida e a possibilidade de manutenção de despesas elevadas sem medidas suficientes para equilibrar as contas. Analistas ouvidos pelo InfoMoney avaliam que o resultado eleitoral levou o mercado a rever as expectativas sobre a condução da política fiscal.
A escolha do ministro será observada como uma indicação do espaço que terão o controle de gastos, os investimentos públicos e a participação do Estado na economia. O nome anunciado, acompanhado das primeiras propostas, ajudará a esclarecer qual orientação Lula pretende adotar.
A relação com o Congresso também entra nessa avaliação. Com um Legislativo fortalecido pelo campo conservador e sem maioria própria, o presidente dependerá de negociações para aprovar sua agenda. Esse cenário acrescenta dúvidas sobre quais medidas econômicas conseguirão avançar no próximo mandato.
Como terminou a eleição entre Lula e Flávio Bolsonaro?
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula recebeu 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) somou 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A diferença foi de aproximadamente 4,43 milhões de votos. O resultado assegurou ao petista seu quarto mandato presidencial, com início em 2027.