A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo (25), abriu uma nova etapa na discussão sobre as eleições de 2030. Enquanto aliados terão de construir uma candidatura para sucedê-lo, a oposição começa a avaliar quem poderá liderar a próxima disputa pelo Palácio do Planalto.
Pelas regras atuais da Constituição, o presidente não poderá buscar outro mandato consecutivo. O artigo 14 permite apenas uma reeleição seguida para os chefes do Executivo, o que impede uma nova candidatura de Lula ao mesmo cargo ao término da gestão que começará em 2027.
O cenário ainda reúne possibilidades, sem candidaturas definidas. Parte dos nomes aparece em declarações públicas do próprio presidente; outros são mencionados por aliados, analistas e reportagens sobre as articulações partidárias.
Quem aparece na direita para as eleições de 2030?
A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) deixa em discussão o comando da oposição. Governadores, integrantes da família Bolsonaro e lideranças que disputaram o primeiro turno de 2026 aparecem nesse debate, mas chegam ao próximo ciclo em situações diferentes.
Tarcísio de Freitas (Republicanos)
Reeleito governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas é apontado em análises publicadas pelo UOL e pela Folha de S.Paulo como uma das principais possibilidades da direita para 2030.
A permanência no governo paulista oferece uma plataforma para ampliar sua projeção. O apoio à campanha de Flávio também pode pesar nas negociações com o bolsonarismo, do qual o governador se manteve próximo durante a eleição.
Michelle Bolsonaro (PL)
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal, terá no Congresso um espaço para fortalecer sua atuação nacional.
Segundo reportagem do UOL, o apoio de segmentos evangélicos e sua trajetória à frente do PL Mulher estão entre os fatores que sustentam as avaliações sobre uma eventual candidatura presidencial.
Renan Santos (Missão)
Após disputar a Presidência em 2026 pelo Missão, Renan Santos aparece entre as alternativas da direita que buscam espaço fora do grupo liderado pela família Bolsonaro.
Ele já sinaliza uma nova tentativa em 2030. A possibilidade, porém, ainda depende da construção política e eleitoral da legenda.
Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo)
Os ex-governadores de Goiás e Minas Gerais participaram da corrida presidencial deste ano, mas ficaram fora do segundo turno. Esse histórico os mantém no debate sobre os rumos da direita, sem confirmar que voltarão a disputar o Planalto.
No caso de Romeu Zema, há uma ressalva: em entrevista ao SBT durante a campanha, ele afirmou que pretendia passar um período afastado da política caso fosse derrotado. Por isso, não é possível tratar uma candidatura presidencial em 2030 como um plano estabelecido.
Quais nomes são discutidos para a sucessão de Lula na esquerda?
No campo governista, a discussão envolve a renovação dentro do PT e o espaço que partidos aliados poderão ocupar. Antes mesmo da votação, Lula havia citado lideranças que, em sua avaliação, tinham potencial para ganhar dimensão nacional.
Camilo Santana (PT)
Senador pelo Ceará e ex-ministro da Educação, Camilo Santana ganhou destaque na reorganização da campanha petista no segundo turno.
Sua participação fortaleceu a posição de aliados que defendem maior protagonismo das lideranças nordestinas na sucessão presidencial.
Rafael Fonteles (PT)
O governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles, também saiu da campanha com maior espaço no entorno do presidente. Sua atuação ao lado de Lula ampliou a presença do governador nas discussões internas sobre o futuro do partido.
Fonteles já é tratado como um quadro em ascensão, que se aproximou do núcleo presidencial durante a reta final da disputa.
Fernando Haddad (PT)
Ex-ministro da Fazenda e candidato do PT à Presidência em 2018, Fernando Haddad foi mencionado por Lula entre os possíveis líderes de seu campo político.
Sua experiência no governo federal sustenta a presença nesse debate. Entretanto, a derrota na disputa pelo governo paulista em 2026 acrescentou um obstáculo eleitoral à construção de uma nova candidatura.
João Campos (PSB)
Ex-prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos está entre os aliados citados por Lula como lideranças com potencial nacional. A derrota para Raquel Lyra (PSD) na eleição para o governo de Pernambuco, porém, alterou seu caminho político.
Especialistas avaliam que o resultado enfraquece suas perspectivas imediatas, embora não encerre a possibilidade de projeção futura. A viabilidade de um projeto presidencial dependerá de como o socialista reconstruirá seu espaço nos próximos anos.
Guilherme Boulos (PSOL)
Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos também foi lembrado publicamente por Lula na discussão sobre novas lideranças.
Ao citar o aliado e outros integrantes de seu grupo, o presidente defendeu que esses políticos ampliassem a atuação para além dos estados onde construíram suas bases eleitorais.
Flávio Dino
O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino aparece em especulações sobre um eventual retorno à política partidária.
Segundo a coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles, aliados defendem que ele deixe a Corte para tentar disputar a Presidência. A movimentação relatada é desses interlocutores e não representa um anúncio de candidatura do ministro.