A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), no último domingo (25), abriu uma nova etapa de tensão nas relações com os Estados Unidos. O brasileiro venceu Flávio Bolsonaro (PL) por mais de 4,4 milhões de votos, mas Donald Trump ainda não reconheceu oficialmente o resultado.
Nesse cenário, o próximo encontro entre Lula e Trump ganha importância para além do protocolo diplomático. O contato ocorrerá após uma campanha marcada pela atuação de Eduardo Bolsonaro junto a integrantes do governo americano e por questionamentos do republicano à eleição brasileira.
Nesta quinta-feira (29), Trump afirmou que conversará com Lula sobre o processo eleitoral. A declaração, porém, veio acompanhada de novas críticas à votação, sem apresentação de provas de fraude.
Quando será o encontro entre Lula e Trump?
A cúpula do G20 é uma das ocasiões previstas para reunir os presidentes. O evento acontecerá nos dias 14 e 15 de dezembro, uma segunda e uma terça-feira, no resort Trump National Doral, na região de Miami, na Flórida.
Lula pretende participar da reunião, que terá Trump como anfitrião. Caberá ao presidente americano receber as delegações das principais economias do mundo. Nesse formato, a expectativa é de um cumprimento entre os dois durante a recepção dos líderes.
Há, contudo, uma possibilidade anterior. Segundo a coluna Painel, da Folha de S.Paulo, as diplomacias negociam uma conversa durante a cúpula da Asean, nas Filipinas, entre 15 e 17 de novembro. Por isso, ainda não é possível afirmar que o primeiro contato presencial após a eleição ocorrerá em dezembro.
Recepção no G20 significa reunião bilateral?
O protocolo de chegada favorece um contato frente a frente e um registro fotográfico com o anfitrião. Uma reunião bilateral, porém, exige negociação específica sobre horário, participantes e assuntos.
Assim, a recepção de Lula por Trump e uma conversa reservada são compromissos distintos. O primeiro é esperado pela dinâmica da cúpula; o segundo depende do acordo entre os governos.
Essa diferença ajuda a explicar a atenção sobre o G20. Na Assembleia Geral da ONU, em setembro, os presidentes estiveram em Nova York, mas não se encontraram nos bastidores. No G7, em junho, trocaram cumprimentos durante um evento social, sem realizar uma reunião bilateral.
Como Eduardo Bolsonaro entra nesse contexto?
A relação da família Bolsonaro com integrantes da gestão americana também compõe o cenário diplomático. Antes do segundo turno, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo afirmaram ter participado de reuniões na Casa Branca e no Departamento de Estado.
Em setembro, os dois disseram que levaram aos interlocutores americanos questionamentos sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF). Também levantaram a hipótese de a Corte não aceitar uma eventual vitória de Flávio, sem apresentar evidências de que existisse um plano nesse sentido.
Após a derrota, o próprio Flávio chegou aos Estados Unidos. A presença do senador no país acrescentou um novo elemento à relação entre Brasília e Washington, enquanto o governo brasileiro busca preservar as negociações comerciais.
Chanceleres têm agenda antes dos presidentes
A interlocução diplomática passa primeiro pelos responsáveis pelas relações exteriores. Mauro Vieira participa nesta sexta-feira (30) da reunião de chanceleres do G20, em Atlanta, sob a presidência do secretário de Estado americano, Marco Rubio.
A programação ministerial segue até sábado (31) e antecede a cúpula dos chefes de Estado. O encontro coloca representantes dos dois governos na mesma agenda em meio aos desdobramentos da eleição brasileira.