A dificuldade de chegar aos locais de votação levou o DJ Alok a oferecer ajuda para custear o transporte de indígenas no segundo turno das eleições. Nesta sexta-feira (23), o artista afirmou que se prontificou a pagar pelos deslocamentos, mas que não pôde seguir com a iniciativa por causa das restrições da legislação eleitoral.
Em uma publicação no X, antigo Twitter, o músico relatou ter recebido informações sobre aldeias que enfrentam problemas logísticos e falta de recursos para votar no domingo (25). Diante da situação, cobrou providências das prefeituras e da Justiça Eleitoral.
“Logo me prontifiquei a pagar pelo transporte, porém a legislação eleitoral proíbe esse tipo de apoio privado neste período”, escreveu.
Alok cobra transporte para indígenas no segundo turno
Na mensagem, Alok defendeu que o acesso às urnas seja assegurado pelo poder público. Para o artista, a participação dos povos indígenas nas decisões do país depende de condições concretas para que os eleitores consigam chegar às seções eleitorais.
“Os povos indígenas ajudaram a construir a história deste país e não podem ser excluídos das decisões que vão definir o seu futuro”, afirmou.
O DJ também dirigiu um apelo ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “A democracia não começa na contagem dos votos, começa garantindo que todos possam chegar às urnas. Contamos com o Tribunal Superior Eleitoral neste momento.”
Relatos de dificuldades na votação
A cobrança do artista ocorre após alertas sobre obstáculos ao voto de comunidades indígenas. Em 9 de outubro, as deputadas federais Sonia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) encaminharam um ofício ao TSE pedindo medidas urgentes para o segundo turno.
Segundo informações publicadas pela Folha de S.Paulo, as parlamentares reuniram relatos de lideranças de Pernambuco, Minas Gerais, Mato Grosso, Amapá e Amazonas. A denúncia apontava que o transporte disponibilizado havia sido insuficiente e inadequado.
Justiça determina que União garanta deslocamentos
Nesta quinta-feira (22), a 5ª Vara da Justiça Federal no Pará determinou que a União adotasse, em até 24 horas, providências para assegurar o acesso de eleitores indígenas aos locais de votação. A decisão tem alcance nacional e atende a uma ação do Ministério Público Federal (MPF).
A ordem prevê transporte gratuito por terra, rio ou ar, conforme as necessidades das comunidades, além de alimentação para os eleitores que precisem se deslocar. Também determina apoio financeiro e logístico emergencial às prefeituras envolvidas.
Entre as medidas estão a articulação com órgãos como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a disponibilização de intérpretes e facilitadores culturais nas seções em que esses recursos sejam necessários.
O que dizem as regras sobre transporte de eleitores?
Segundo orientação do TSE, candidatos, partidos e outras pessoas não podem fornecer transporte com finalidade eleitoral no dia da votação. Também não é permitido fretar veículos especificamente para levar eleitores às urnas. As restrições buscam impedir interferências no exercício do voto.
Isso não impede todo deslocamento particular. A Justiça Eleitoral permite, por exemplo, o uso de veículo próprio para votar e transportar familiares, além do funcionamento regular de táxis e serviços por aplicativo, desde que não tenham finalidade eleitoral ilícita.
O tribunal também informa que o transporte para moradores de territórios indígenas e outras comunidades tradicionais pode ser assegurado independentemente dos limites do município, observadas as regras eleitorais.
Artista mantém projetos com povos indígenas
A relação de Alok com comunidades indígenas também aparece em sua produção musical. Em 2024, o DJ lançou “O Futuro É Ancestral”, álbum desenvolvido em parceria com oito etnias indígenas brasileiras.
O projeto foi indicado ao Grammy Latino e integra a atuação do artista em iniciativas ligadas aos povos originários e à proteção ambiental.