A disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chega aos últimos dias com um desafio para as duas campanhas: conquistar eleitores que não se identificam diretamente com nenhum dos campos políticos. A pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (21) traz um dado que ajuda a entender esse cenário.
Enquanto as intenções de voto gerais mostram estabilidade, um movimento entre os independentes acrescenta incerteza à corrida presidencial. A mudança aparece na comparação com o levantamento divulgado em 14 de outubro, no intervalo que incluiu o debate da Band, realizado no domingo (18).
O que a pesquisa Quaest revela sobre os independentes?
Entre os eleitores independentes, a parcela dos que não apontam espontaneamente um candidato passou de 13% para 31% em uma semana. A alta de 18 pontos percentuais significa que a indecisão mais que dobrou nesse segmento.
O crescimento veio acompanhado de uma redução nas declarações espontâneas de voto nos dois presidenciáveis. Lula passou de 34% para 24%, enquanto Flávio Bolsonaro foi de 35% para 30%, segundo os dados publicados pela pesquisa.
No mesmo grupo, as respostas de voto branco ou nulo recuaram de 18% para 15%. A comparação, portanto, não mostra uma transferência direta de apoio de um candidato para o adversário: ambos foram menos citados, enquanto aumentou a indefinição.
Debate da Band entra no contexto da mudança
Para Felipe Nunes, CEO da Quaest, o avanço da indecisão entre os independentes indica insatisfação com as alternativas e com o tom da campanha. Ao analisar o levantamento, ele classificou o movimento como uma “sinalização clara de descontentamento com as opções e com a campanha negativa que vem sendo apresentada”.
A avaliação do pesquisador relaciona o resultado ao ambiente da disputa. A pesquisa, porém, não permite atribuir o aumento da indecisão exclusivamente ao debate da Band.
As entrevistas ocorreram entre 17 e 20 de outubro, período que começou antes do confronto e terminou depois dele. O levantamento registra diferenças entre duas rodadas, mas não isola o efeito de cada acontecimento da campanha sobre as respostas.
Por que os 31% não representam todo o eleitorado?
O percentual de 31% corresponde apenas aos independentes na pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistado responde em quem pretende votar sem receber os nomes dos candidatos.
No conjunto do eleitorado, a indecisão espontânea passou de 7% para 14%. Entre as mulheres, o índice também avançou: saiu de 8% para 17% na comparação entre os levantamentos.
Já na pesquisa estimulada, quando os nomes dos presidenciáveis são apresentados, apenas 2% dos entrevistados no cenário geral dizem estar indecisos. São perguntas diferentes, cujos resultados precisam ser lidos separadamente.
Lula e Flávio Bolsonaro seguem em empate técnico
No cenário estimulado nacional, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto, enquanto Lula registra 44%. Os candidatos estão tecnicamente empatados dentro da margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Na rodada anterior, o senador tinha 46%, e o presidente, 44%. A oscilação de um ponto de Flávio está dentro da margem de erro e não permite afirmar que houve uma mudança consolidada na disputa.
Outro indicador ajuda a dimensionar a incerteza: 10% dos entrevistados ainda admitem mudar de voto. Entre os eleitores de Lula, são 9%; entre os de Flávio, 7%.
Como foi realizada a pesquisa Quaest?
Encomendada pela TV Globo e pelo jornal O Globo, a pesquisa ouviu presencialmente 2.154 eleitores de 16 anos ou mais, entre os dias 17 e 20 de outubro. O nível de confiança é de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-08535/2026. A margem de erro de dois pontos percentuais corresponde aos resultados gerais e não deve ser aplicada automaticamente aos recortes do eleitorado.